Existem centenas de apps de saúde mental nas lojas. A maioria some do seu celular em duas semanas, e não é por falta de qualidade: é porque foram feitos para um problema que você não tem.
Esta lista está organizada por problema, não por nota. Cada posição diz para quem aquele app foi feito — e para quem ele não foi.
Uma ressalva antes: nenhum app aqui substitui terapia, e os preços mudam sem aviso. Confira na loja antes de assinar qualquer coisa.
1. Zenklub — quando o que você precisa é terapia mesmo
Não é um app de bem-estar. É uma plataforma de terapia online com psicólogos brasileiros, com agenda, sessão por vídeo e pagamento por consulta ou por pacote.
Está em primeiro porque, se você está no ponto em que um app de respiração não dá conta, nada nesta lista chega perto do efeito de conversar com alguém treinado toda semana. A sessão custa uma fração do consultório presencial, e a agenda abre à noite e no fim de semana — que é justamente quando quem trabalha em CLT consegue.
O ponto fraco: é caro comparado a uma assinatura de app, e a qualidade varia de profissional para profissional. As primeiras duas ou três tentativas podem não engrenar, e desistir aí é o erro mais comum.
Para quem: quem já entendeu que precisa de ajuda e quer começar por algum lugar.
2. Headspace — quando você quer aprender a meditar de verdade
O melhor curso de meditação em formato de app. A diferença para os concorrentes é a estrutura: em vez de um catálogo enorme de áudios avulsos, você entra numa trilha que ensina uma coisa por vez, na ordem.
Quem nunca meditou aprende mais em dez dias de Headspace do que em três meses navegando por bibliotecas.
O ponto fraco: o conteúdo em português é uma parte pequena do catálogo, e a tradução às vezes soa dublada. A assinatura é anual e não é barata.
Para quem: quem quer aprender uma prática, não só se distrair.
3. Metamorfosis — quando o que trava é botar em palavras
Aqui é onde o nosso app entra, e vale dizer o que ele é e o que ele não é.
O Metamorfosis é um diário emocional em português com uma diferença: depois que você escreve, ele devolve uma leitura do que você escreveu. Não uma frase motivacional genérica — uma observação sobre o padrão que aparece nos seus registros. Tem também testes de autoconhecimento e um feed de vídeos curtos para os dias em que escrever é demais.
Está em terceiro, e não em primeiro, por um motivo simples: ele resolve um problema mais estreito que os dois de cima. Se o que você precisa é terapia, ele não é terapia. Se o que você quer é aprender a meditar, o catálogo de meditação guiada dele é pequeno perto do Headspace ou do Insight Timer.
O que ele faz melhor que qualquer outro app desta lista é a parte de nomear. A maioria das pessoas que procura ajuda não sabe dizer o que sente — sabe que está mal. Escrever e receber de volta uma leitura organizada do que você escreveu é a ponte entre "estou estranho" e "estou com medo de ser demitido, e isso está aparecendo no meu sono há três semanas".
O ponto fraco: é um app pequeno, feito por uma equipe pequena. Não tem versão web, não tem integração com relógio, não tem comunidade. E, como todo diário, ele só funciona se você escrever — se você é do tipo que abandona diário na segunda semana, o Daylio talvez seja mais realista para o seu caso.
Para quem: quem sente muita coisa e não consegue nomear nenhuma.
4. Daylio — quando escrever é o próprio obstáculo
O oposto do Metamorfosis, e por isso ele está logo abaixo. No Daylio você não escreve nada: toca num ícone de humor, marca as atividades do dia e pronto. Dez segundos.
Depois de um mês, os gráficos mostram correlações que ninguém percebe no dia a dia — que os seus piores dias são os que você dorme menos de seis horas, que segunda-feira não é o pior dia da semana, que é terça.
O ponto fraco: ele mostra o quê, nunca o porquê. Um gráfico dizendo que você esteve mal 14 dias no mês não ajuda a entender nenhum deles.
Para quem: quem quer dados e não quer digitar.
5. Finch — quando você precisa de um motivo para cuidar de você
Um bichinho virtual que cresce quando você cumpre pequenas tarefas de autocuidado: beber água, sair de casa, respirar por dois minutos.
Parece bobo escrito assim. Funciona porque muita gente que não consegue fazer nada por si mesma consegue fazer por um bicho — é o mesmo mecanismo que faz a pessoa deprimida levantar da cama para dar comida ao gato.
O ponto fraco: a estética infantil afasta parte do público adulto, e a gamificação pode virar mais uma lista de tarefas para você falhar.
Para quem: quem está tão sem energia que precisa de um empurrão externo.
6. Insight Timer — quando você quer o maior acervo grátis
Dezenas de milhares de meditações gratuitas, incluindo bastante coisa em português. Um cronômetro de meditação decente. Palestras, música para dormir, sons.
É o app com melhor relação entre o que oferece e o que cobra desta lista inteira.
O ponto fraco: é caótico. Sem curadoria, você passa mais tempo escolhendo do que praticando, e a qualidade oscila muito entre professores.
Para quem: quem já sabe o que procura e não quer pagar.
7. Lojong — quando você quer meditação pensada em português
Feito no Brasil, com conteúdo escrito em português e não traduzido. Programas curtos, linguagem que não soa importada.
Para quem já tentou Calm e Headspace e achou tudo meio estrangeiro, o Lojong resolve exatamente isso.
O ponto fraco: o catálogo é menor que o dos gigantes internacionais, e a experiência do app é menos polida.
Para quem: quem quer meditar sem se sentir num retiro na Califórnia.
8. Calm — quando o problema é dormir
O melhor acervo de histórias para dormir que existe, e não é perto. Se você deita e a cabeça não desliga, o Calm resolve isso melhor que qualquer app desta lista.
O ponto fraco: fora do sono, ele é um catálogo bonito sem muita direção. A assinatura é das mais caras, e a maior parte do que você paga você não usa.
Para quem: quem tem problema de sono, especificamente.
9. Medito — quando você não quer pagar nada, nunca
Meditação guiada, gratuita, sem anúncio, sem assinatura, mantido por uma organização sem fins lucrativos. O conteúdo é bom e a interface é limpa.
O ponto fraco: catálogo pequeno e conteúdo em português limitado.
Para quem: quem quer o essencial sem gastar.
10. Wysa — quando você precisa desabafar às três da manhã
Um chatbot que conversa com você usando técnicas de terapia cognitivo-comportamental. Responde na hora, a qualquer hora, e não julga.
O ponto fraco: é um robô, e em algum momento fica evidente que é. As respostas se repetem, e conversa nenhuma com uma máquina resolve o que uma conversa com uma pessoa resolve.
Para quem: quem precisa colocar algo para fora agora e não tem para quem.
Como escolher entre eles
Pergunte-se o que você faria se o app não existisse.
Se a resposta é "eu ficaria remoendo", você precisa de um lugar para colocar o pensamento para fora — diário, chatbot, terapia. Se é "eu ficaria acordado", você precisa de sono. Se é "eu não faria nada", você precisa de estrutura e de um empurrão.
Instalar quatro apps de uma vez é a forma mais eficiente de não usar nenhum. Escolha um, use por trinta dias, e só então avalie.
E se em algum momento a resposta honesta for "eu não sei se aguento", não é um app que resolve. O CVV atende de graça no 188, 24 horas por dia.
Sobre o Metamorfosis. Diário emocional em português com reflexão gerada a partir do que você escreveu, testes de autoconhecimento e um feed para os dias sem energia. Grátis na App Store e no Google Play.